Biscoitos de Estrelas
por Clarice Schcolnic



BISCOITOS DE ESTRELAS I

Mamãe veio me dizer que iríamos ao Paraná, visitar vovô e vovó.
Foi explicando:
- Você mora em São Paulo , que é aqui. Paraná é outro lugar e fica longe.- E continuou. - Eu também tenho papai e mamãe. Eles são seu vovô e sua vovó. Entendeu?
Claro que não. Mas achei melhor concordar e ir brincar.
O dia da viagem, finalmente, veio. Chegamos durante à noite. Quando descemos do carro, minha mãe apontou para cima:
- Olhe filhinha, estrelinhas!
Fiquei eufórica, era muito inesperado.
- Pega pra mim!
Não havia meio de pegá-las. Como não? Estavam bem diante dos meus olhos.
Entrando na casa, o primeiro a aparecer foi um homem grande, de chapéu e com um bigode enrolado na ponta. Esse era o vovô. Dizem que ele sempre tinha balas no bolso da camisa. Cumprimentou a todos e disse que ficássemos à vontade.
Depois, surgiu uma mulher, que sorriu para mim, me fez carinho e disse que eu era bonitinha. Era vovó. Não me lembro de muita coisa, acho que estava com sono e logo adormeci .
No dia seguinte, pela manhã, corri para o terraço, e para minha grande decepção as estrelas haviam desaparecido. Vovó, vendo o quanto aquilo era importante para mim, levou-me para a cozinha, onde fez biscoitos, usando um forno a lenha. E, vejam só, eles tinham o formato de estrelas, cheirinho de erva-doce e eram todos meus!

BISCOITOS DE ESTRELAS II

Dias depois que voltamos da viagem, minha mãe deixou-me na casa de uma vizinha, que também tinha uma filha. Acontece que a mãe da menina não estava com muita paciência naquele dia, e nos colocou à uma mesa, com lápis colorido, tesouras e papéis, para que nos distraíssemos e ficássemos quietas. Sem querer, ao recortar um papel, vi-me diante do que parecia ser uma estrela. Fiz alguns ajustes, colei um pó brilhante e quase caí dura. Agora sim, era uma estrela.
Levei aquela preciosidade para casa, com muito cuidado. Subi no armário do meu quarto e, esticando-me toda, colei-a no teto. Deitei na cama, fiquei olhando e pensando. Cheguei à conclusão de que minha estrela era melhor que as do céu, pois podia ser feita com minhas próprias mãos, na cor e no tamanho que desejasse. Além de decorar meu quarto e ser vista quando eu quisesse. Se isso ainda não fosse o suficiente, era só imaginar e criar outras.

BISCOITOS DE ESTRELAS III

Eu cresci! Cresci tanto que até casei e tive meu próprio filho!
Um dia contei esta história para ele.
- Mamãe o Sol é uma estrela, não é?
- Sim
- Então, quando o Sol bate na gente e esquenta, é como se uma estrela estivesse aqui, dentro do corpo. Tem uma estrela dentro de você, mamãe!
- E de você também, filhote! Vem cá, me dê um abraço, quero sentir bem de perto sua estrela!



" TENHO UMA HISTÓRIA PARA VOCÊ "
Livro
Fonte de prazer, reflexão e liberdade

Este vídeo é o registro do quarto encontro Livro Vivo. Recebemos queridos amigos, além da presença da boneca Mariana, que está nascendo nas mãos da Contadora de Histórias Alejandra Pinel. Não resistimos e, no final, eu, Alejandra e Mariana improvisamos uma cena.

Oficinas "Livro Vivo" - março 2010

As oficinas de experimentação do Projeto "Livro Vivo", estarão acontecendo na Casa de Cultura e Interação Motirõ, durante todo o mês de março, aos sábados das 14:30hs às 16:30hs.Saiba mais: Tel. (11) 21575286



"Livro Vivo"
Expressão Artística
Espaço LÚDICO ,
onde crianças e jovens
desenvolvem-se através da Arte,
e podem buscar soluções
para eventuais dificuldades
com a escrita e com a leitura.

MOVIMENTO HORA DO CONTO - PARTEII







Aqui, fizemos os melhores amigos de nossas vidas!

Queridos colegas

Aqui, fizemos os melhores amigos de nossas vidas e colegas de profissão. Sinto não estarem todos nesta edição. Logo mais, faremos outro vídeo.



















CENTRO KAVÁFIS DE CULTURA HELÊNICA

Estão abertas as inscrições para o curso de “Contadores de Histórias” voltado para contos e mitologia grega, que o Centro Kaváfis promoverá a partir de 18 de agosto de 2009, sempre às 3ªs feiras, das 19h30 às 21h30. Num total de 12 encontros, as oficinas serão coordenadas pela professora Clarice Schcolnic.
Clarice formou-se em Arte-Educação com especialização em teatro, formada pela Faculdade Santa Marcelina. Em 1991 fundou o Movimento Hora do Conto, coordenando-o até hoje e, onde, há dezoito anos, ministra aulas, organiza seminários, saraus, apresentações e viagens para conhecer contadores regionais. Trabalhou em parceria com o Museu da Pessoa, centros culturais e em empresas como Votorantim, Aracruz, Petrobras, Vale do Rio Doce, entre outras. Autora do livro, ” Contadores de Histórias – Sobre a Arte da Narrativa”.
Por que contar histórias?
É uma oportunidade para a reflexão, o estudo e a prática de um tempo em que as pessoas sentavam nas calçadas ou em volta de uma fogueira para contar histórias, recorrendo ao imaginário, para buscar respostas. Essa prática se perpetua, segundo Clarice Schcolnic, “porque no âmbito da fantasia tudo é possível, abre-se um infinito leque de possibilidades e caminhos. Uma das características fundamentais da narrativa é o seu aspecto construtor, uma vez que nos ajuda a elaborar continuadamente o mundo à nossa volta”. Além disso, nos tempos de hoje, o domínio dessa técnica de comunicação amplia as possibilidades de desenvolvimento no campo pessoal, familiar e profissional.
De 18 de agosto a 3 de novembro de 2009
3ªs feiras – das 19h30 às 21h30
Vagas limitadas
Custo total R$ 300,00 (em três parcelas de R$ 100,00)
Local: Rua dos Macunis, 495 – Vila Madalena
RSVP: 3032-3939
"LIVRO VIVO"


O Projeto LIVRO VIVO nasceu da preocupação, vivenciada por pais e Educadores, com a constatação de que um número cada vez maior de crianças e jovens apresenta dificuldade e, até mesmo, resistência ao hábito da leitura,o que, evidentemente, gera toda uma série de impedimentos ao aprendizado e várias perdas futuras.
Utilizando a Arte, de forma lúdica e dinâmica, este Projeto propõe-se a facilitar a criança e ao jovem um novo encontro com o livro.
O processo pode desenvolver-se de duas maneiras: individual ou em grupo.
A primeira consiste em encontros com o aluno, durante os quais será verificada a natureza da dificuldade e encaminhada a solução específica.
Já a segunda compõe-se de Oficinas e Cursos, dirigidos aos pais e aos Educadores.
Maiores informações estaremos, aos sábados, atendendo pais e Educadores na Casa de Cultura Motirõ - Higienópolis.

Agende seu horário:

Tel. (11) 35429088 (11)71750773






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O PÁSSARO AZUL
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Ilustrção de Marcello Araujo

ACTC
Associação de Assistência a Criança Cardíaca

Contação de Histórias
A ACTC recebeu com muita gratidão uma doação especial! A arte-educadora Clarice Schcolnic , que atua em diferentes instituições, contando histórias para crianças, adultos e para a terceira idade, doou alguns de seus belíssimos contos para a entidade.
Desde então, publicamos periodicamente, neste espaço, essas histórias que misturam arte e poder de transformação, desenvolvendo a imaginação e auxiliando as pessoas, principalmente

as crianças, a organizar e expressar melhor suas idéias.

Momento do parceiro informativo ACTC

O PÁSSARO AZUL
Criança não tem sorte! Já imaginou ter que passar suas férias na casa de uma avó e um bisa que é cego e nem tem televisão? Pois é. Assim seriam minhas férias. A única distração era um rádio antigo tocando música em AM.
Logo no primeiro dia, depois do almoço, saí andando para ver se achava algo interessante. Encontrei a avó e o bisa sentados em um banco, no meio de um jardim muito mal cuidado.
Resolvi brincar de esconder com eles. Aproximei-me sem que percebessem. Ela parecia descrever alguma coisa. Prestei atenção à conversa:
– O céu está bonito hoje. Cores suaves.
Não estava cinza?
– Tem uma criança empinando pipa por aqui. O desenho dela lembra o escudo do seu time de futebol.
Pipa? Cadê?
- As rosas desabrocharam. Estão bem do seu lado. Lembra quando plantamos no ano retrasado? Nunca estiveram tão maravilhosas! Pera aí, aquilo eu conheço! São flores do mato e muito das sem vergonha. Ora, essa! Ela estava mentindo! Como podia enganar um pobre ceguinho? E todos os dias era do mesmo jeito. Sentavam naquele banco e a vovó descrevia coisas inexistentes.
Uma tarde ela veio falar comigo:
- Você passearia com seu bisavô? Hoje
estou tão atarefada...
- Prefiro não ir. - Respondi, surpreso
com a proposta.
- Por que?
– É que acho complicado.
– Por ser cego?
Fiquei sem jeito.
– É, né...
– Bobagem, quem vai te levar é ele.
Fui.
O bisa tinha a mão grande, toda enrugada. Pegou na minha com força. Sabia todo o caminho e, ás vezes, ainda dizia:
– Cuidado com o degrau. Não vá tropeçar.
Pensei em fechar os olhos também, para sentir como era. Desisti.
Quando sentamos, ele falou:
– E então? Me conte o que vê. Com certeza, se eu dissesse a verdade iria decepcioná-lo. Fiquei quieto.
– Escutou, meu filho?
– Um pássaro?
– Sim. Como ele é?
– Sei lá. Não vi.
– Como imagina que seja?
– Azul, pequeno - arrisquei.
– Raro, muito raro. E por que canta?
– Está feliz, ou procurando alguém...
– Também acho. Na primavera costumam namorar muito. Deve haver um ninho por aqui. Onde está?
– Onde?
– É. Você pode ver, não pode? Em qual destas árvores?
E ele ainda apontava direitinho para todas elas.
– Acho que... naquela. - Mostrei a mais frondosa.
– Com certeza. Um bom lugar para fazer ninho. Pássaro esperto. Será que já tem ovos? Quantos você acha?
– Três, talvez. - Eu nunca tinha muita certeza ao dar as respostas, mas ele parecia
concordar com todas.
– Por aqui dá muita cobra. Tomara que não achem esses ovos. São muito raros os pássaros azuis. Quer voltar?
– Se quiser, a gente fica.
Mais tarde, ao regressarmos, o bisa falou:
– Adorei passear com você. Podemos repetir mais vezes.
Também tinha gostado. Só nos restavam quatro dias. Em todos eles saímos para passear juntos. O bisa sempre pedia que eu observasse a árvore com o ninho dos pássaros azuis, e lhe contasse o que estava acontecendo. No último, me empolguei:
– Eles nasceram! Os filhotes! Eram três mesmo. E tão pequenos!
O bisa pareceu triste. Será que eu havia dito algo de errado?
– Agora, eles vão embora. Como você. Sentirei saudade.
O que eu poderia dizer para alegrá-lo? Tive uma idéia. Não seria fácil, mas arrisquei.
– Não me lembro direito, parece que um dia eu vi num livro, lá em casa, né, que...
Bom... É que... Os pássaros azuis... Muito raros... Então eu li... Bem, sempre voltam
para o lugar onde nasceram. A vovó, com certeza, quando vocês vierem para esse lindo
jardim, vai avisar para o senhor, porque ela também vê, que nem a gente.



Clarice Scholnic



E vão chegando em nossas mãos arquivos que julgávamos perdidos...

Sombras e brincadeiras Quem pensava que sombras não passavam de efeitos físicos descobriu nas oficinas de Teatro de Sombras que é possível trabalhar vários tipos de efeitos para criar histórias. Realizadas no Sesc Pinheiros pela educadora e contadora de histórias Clarice Schcolnic, as oficinas reuniram crianças dos quatro aos doze anos, além de seus pais. A partir do trabalho com o corpo e sua integração com diversos tipos de luz, os participantes criaram histórias apresentadas ao final de cada oficina. Segundo Clarice, "a sombra é um excelente recurso para o faz-de-conta, é onde tudo é possível.


CURSO DE CONTADORES DE HISTÓRIAS 2010


Num primeiro momento, através de relatos espontâneos e outros jogos, criaremos condições para a percepção de como cada um de nós lida com o mundo do faz-de-conta. Isto visa facilitar o desbloqueio e o encaminhamento para o jeito pessoal de contar .
A seguir, iremos estruturar uma narrativa completa.
Nesta fase, experimentaremos o apoio de recursos auxiliares (materiais, que servem para ilustrar os episódios, de acordo com as necessidades de cada um.)
Aqui, intensifica-se a troca de experiências com todo o grupo, trabalhando-se o aspecto gregário.
Durante este processo, estaremos levantando os principais fundamentos desta arte e desenvolvendo algumas reflexões sobre a nossa relação com o mito.
Veremos, também, o funcionamento dos símbolos e a análise do texto.
Finalmente, cada um decidirá como quer encaminhar o seu trabalho e o preparará, empregando os referenciais desenvolvidos durante os estágios anteriores.
Como se pode perceber, estamos falando de um processo intenso e dinâmico e onde não há espaço para fórmulas ou padrões preestabelecidos .
O objetivo é tornar cada participante apto a abordar qualquer tipo de história.
Todo o curso é apoiado na reflexão e auto descoberta.
Serão doze encontros semanais, com duas horas cada.
Incrições e informações:
email claricehistorias@yahoo.com.br
Tel. (11) 35429088 - 71750773












"Cada história contém um pedaço da alma do mundo"


Clarice Schcolnic
Nascida em São Paulo, no dia 16 de abril de 1966, Clarice formou-se em Arte-Educação com especialização em Teatro, pela Faculdade Santa Marcelina no ano de 1987.
Durante 7 anos, foi professora na “Oficina de Artes” do Clube “ A Hebraica de São Paulo” e também em vários ateliês de São Paulo.
Em 1991, fundou e coordena o Movimento Hora do Conto, onde há dezessete anos ministra aulas, organiza seminários, saraus e viagens para conhecer contadores regionais, sempre com o objetivo de gerar agentes multiplicadores dessa arte milenar.
Suas palestras e apresentações são inúmeras e se espalham por, centros culturais, educacionais e empresas.

Antônio Fernando Bezerra
Fernando Bezerra, como o Antonio Fernando é mais conhecido, é um falso baiano, já que foi levado para o Rio de Janeiro com onze meses e, lá, cresceu.
Cursou o Conservatório Nacional de Teatro (UNI RIO) e, desde então, dedicou-se à cena. Já atuou em mais de quarenta espetáculos, em dez filmes e visitou a televisão em várias ocasiões.
Apaixonado por Dramaturgia, dedica-se ao seu estudo e escreveu alguns textos.
Descobriu o mundo dos Contadores de Histórias, há, aproximadamente, vinte anos, ao ser chamado para dirigir um trabalho de um grupo dedicado a esta arte.
Em 1991, juntamente com Clarice Schcolnic, fundou e coordena , até hoje, o Movimento Hora do Conto.
Em todos estes anos, dedica-se à pesquisa e a reflexão sobre o exercício de narrar, atividade que tem influenciado substancialmente sua visão sobre a Arte Dramática.